PATRIMÔNIO HISTÓRICO DO AMAZONAS PODE DESAPARECER

O Amazonas possui um dos mais ricos registros históricos do País, porém vários monumentos da região estão em situação de abandono. Parte da história do Estado pode desaparecer. E de quem seria a culpa?

O Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, tem responsabilidade e gestão apenas em alguns desses locais, sendo que a imensa maioria dos prédios e demais espaços são de responsabilidade das administrações municipais, a quem cabe desenvolver políticas específicas e de acordo com seus próprios planejamentos culturais, de turismo e de preservação.

Entretanto, de acordo com a arquiteta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Amazonas (Iphan-AM), Márcia Honda, uma das dificuldades para a manutenção do patrimônio do Estado são as distâncias dos municípios.

Em Paricatuba, prédio antigo deve passar por recuperação na estrutura para tombamento (Foto: Ione Moreno).

“A questão não é só restaurar e tombar a logística. Tem que haver uma fiscalização constante nesses patrimônios. Nós teríamos que ter uma representação para poder realizar o trabalho”, explica a arquiteta.

Muitas das prefeituras municipais não possuem estrutura nem mesmo para a preservação destes locais. Barcelos é um dos exemplos desse descaso. A cidade foi fundada em 1728, sendo uma das mais antigas missões dos padres salesianos no Rio Negro. Foi a primeira Capital da província do Amazonas. Nesse período foi construído ainda um modesto hospital, um colégio e um seminário.

Colégio Salesiano DSC01528

Todas as três edificações continuam preservadas, porém não estão em seu formato original. Em 2012, o antigo hospital salesiano – que hoje abriga uma pousada e a rádio Rio Negro – passou por reformas sem auxilio técnico, o que causou verdadeira revolta entre a população. A obra modificou a estrutura original do telhado entre outras coisas.

De acordo com o secretário estadual de Cultura, Robério Braga, nos últimos meses foi concluído e aprovado o projeto de recuperação e restauração da área do antigo leprosário de Paricatuba, que aguarda apenas a sanção do governador Omar Aziz para o tombamento.

Para Braga, é importante ressaltar que o patrimônio histórico é responsabilidade não apenas do poder público, mas também da sociedade. “A maior dificuldade que encontramos para restaurar, preservar e manter estes espaços após uma iniciativa destas é a conscientização da própria sociedade”, afirma o secretário.

Um exemplo é a ponte da Avenida 7 de Setembro, na Capital. O Governo do Estado já reformou o espaço três vezes nos últimos anos, e mesmo assim continuam roubando fios, lâmpadas e até pedaços de ferro da estrutura original da ponte, apesar das constantes vistorias e manutenção do local.

Fonte: Adriana Pimentel/Em Tempo.

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