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Telescópio Espacial Nancy Grace Roman prepara-se para abrir uma nova janela sobre o Universo

Telescópio Espacial Nancy Grace Roman prepara-se para abrir uma nova janela sobre o Universo

A NASA prepara uma das suas missões científicas mais ambiciosas da década. O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman foi concebido para observar vastas regiões do céu com um nível de detalhe comparável ao do Hubble, permitindo estudar milhares de milhões de objetos, procurar novos planetas e investigar alguns dos maiores mistérios da cosmologia, como a matéria escura e a energia escura.

Telescópio Roman será lançado a partir da Florida

O observatório partirá do histórico Complexo de Lançamento 39A, no Centro Espacial Kennedy, na Florida, uma infraestrutura que desempenhou um papel central em várias das principais missões espaciais norte-americanas.

O transporte ficará a cargo da SpaceX, através de um Falcon Heavy, um dos foguetões operacionais mais potentes da atualidade.

Um dos aspetos pouco habituais da missão é o avanço do programa: o Roman chegou à fase de lançamento cerca de nove meses antes do calendário inicialmente previsto, algo pouco comum num projeto espacial desta complexidade.

Destino será o ponto de Lagrange L2

Depois de se separar do Falcon Heavy, o telescópio seguirá para longe da Terra. O destino será o ponto de Lagrange L2 do sistema Sol-Terra, situado aproximadamente 1,5 milhões de quilómetros para além do nosso planeta, na direção oposta ao Sol.

O Roman não ficará imóvel nessa região. O observatório deverá entrar numa órbita quase-halo em torno de L2.

Esta zona oferece condições particularmente favoráveis aos telescópios espaciais. A interação gravitacional entre a Terra e o Sol permite manter uma órbita relativamente estável com um consumo reduzido de combustível.

Além disso, o Sol, a Terra e a Lua permanecem aproximadamente do mesmo lado do observatório, facilitando a proteção dos instrumentos contra luz e calor indesejados. A estabilidade térmica deverá permitir ao Roman obter, numa parte significativa das observações, uma melhoria de cerca de dez vezes relativamente ao Hubble neste parâmetro.

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É também nas proximidades de L2 que opera o Telescópio Espacial James Webb.

Um campo de visão muito superior ao do Hubble

Câmara infravermelha terá 288 megapíxeis

O Roman terá um espelho primário com 2,4 metros de diâmetro, praticamente a mesma dimensão do utilizado pelo Telescópio Espacial Hubble. A principal diferença estará, contudo, na quantidade de céu que conseguirá observar simultaneamente.

O seu principal instrumento científico, o Wide Field Instrument (WFI), integra uma câmara infravermelha de 288 megapíxeis. O sistema poderá produzir imagens com uma resolução comparável à do Hubble, mas cobrindo numa única observação uma região do céu pelo menos 100 vezes maior.

Esta característica deverá alterar significativamente a escala dos estudos astronómicos. Enquanto o Hubble se destaca pela análise extremamente detalhada de áreas relativamente pequenas, o Roman pretende combinar elevada resolução com uma perspetiva panorâmica.

Segundo as estimativas da NASA, o novo observatório poderá realizar determinados levantamentos do céu até mil vezes mais depressa do que o Hubble, mantendo níveis semelhantes de sensibilidade e resolução no infravermelho.

Mais de mil milhões de galáxias poderão ser estudadas

A capacidade de observar grandes áreas permitirá aos investigadores analisar populações muito mais extensas de objetos astronómicos. Ao longo da missão, o Roman poderá observar mais de mil milhões de galáxias.

Os cientistas pretendem estudar a distribuição dessas galáxias, calcular as suas distâncias e compreender como a estrutura do Universo evoluiu ao longo de milhares de milhões de anos.

Uma das principais prioridades será investigar a energia escura, designação atribuída ao fenómeno associado à expansão acelerada do Universo.

Para isso, o telescópio observará supernovas do tipo Ia, a distribuição das galáxias e os efeitos das lentes gravitacionais fracas. A combinação destas medições poderá permitir uma reconstrução extremamente precisa da evolução da expansão cósmica e ajudar a esclarecer por que razão o Universo parece expandir-se cada vez mais depressa.

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Roman poderá descobrir milhares de novos exoplanetas

Microlentes gravitacionais serão fundamentais

A missão também terá um papel importante na procura de mundos fora do Sistema Solar. Uma das principais técnicas utilizadas será a microlente gravitacional.

Quando uma estrela passa quase diretamente em frente de outra, do ponto de vista do observador, a gravidade do objeto mais próximo pode funcionar como uma pequena lente, ampliando temporariamente a luz da estrela mais distante.

Caso existam planetas em órbita da estrela que funciona como lente, estes podem produzir pequenas alterações no padrão de brilho observado.

O Roman deverá acompanhar cerca de 100 milhões de estrelas durante centenas de dias. As estimativas apontam para a descoberta de aproximadamente 2.500 planetas através de microlentes gravitacionais.

As mesmas observações poderão ainda identificar mais de 100 mil planetas através do método dos trânsitos, no qual a passagem de um planeta diante da sua estrela provoca uma pequena diminuição periódica do brilho observado.

Com um campo de visão muito superior ao do Hubble e instrumentos destinados tanto à cosmologia como à procura de exoplanetas, o Nancy Grace Roman poderá tornar-se uma ferramenta fundamental para estudar o Universo em grande escala e, simultaneamente, ampliar significativamente o conhecimento sobre sistemas planetários distantes.