Após 16 anos de desenvolvimento, um novo instrumento astronómico instalado no Chile começou finalmente a observar o Universo. O espectrógrafo MOONS, que conta com participação científica portuguesa, permitirá estudar milhões de estrelas e galáxias, contribuindo para aprofundar o conhecimento sobre a formação e evolução do Universo.
MOONS inicia observações no VLT, no Chile
O MOONS é o mais recente instrumento instalado no Very Large Telescope (VLT), no Chile. A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), que integra investigadores envolvidos no projeto, anunciou que o equipamento realizou a sua primeira observação.
O espectrógrafo foi concebido para observar cerca de mil objetos astronómicos em simultâneo. Esta capacidade deverá torná-lo particularmente importante para compreender de que forma as galáxias se formaram e evoluíram, incluindo a Via Láctea, onde se encontra o Sistema Solar.
Luz infravermelha permite atravessar poeira cósmica
Uma das principais características do MOONS é a capacidade de captar luz infravermelha, invisível ao olho humano. Esta tecnologia permite observar através de regiões com grandes concentrações de poeira cósmica e analisar a luz proveniente de milhões de estrelas.
Segundo a FCUL, o instrumento será especialmente adequado para estudar o céu profundo e produzir mapas tridimensionais da distribuição de estrelas e galáxias.
“MOONS torna-se assim a ferramenta ideal para observar o céu profundo e mapear em 3D a distribuição de estrelas e galáxias a distâncias de até 40 mil anos-luz na Via Láctea e mais de 13 mil milhões de anos-luz no Universo distante”, destaca a instituição.
Investigadores procuram compreender a evolução das galáxias
A participação portuguesa no projeto envolve especialistas em diferentes áreas da astronomia. José Afonso, coinvestigador principal do MOONS na FCUL e especialista no estudo de galáxias, considera que o novo equipamento poderá ajudar a responder a algumas questões fundamentais sobre a evolução galáctica.
O investigador espera que o instrumento permita “compreender o que levou ao pico da atividade galáctica, há cerca de dez mil milhões de anos, e o que motivou o seu acentuado declínio na história mais recente”.
A observação de galáxias extremamente distantes permite aos astrónomos estudar fases muito antigas do Universo. Como a luz demora milhares de milhões de anos a chegar à Terra, estas observações oferecem informação sobre períodos remotos da história cósmica.
Cerca de dez milhões de objetos deverão ser analisados
Durante a sua vida operacional prevista de dez anos, os cientistas estimam que o MOONS recolha dados de aproximadamente dez milhões de objetos astronómicos.
O elevado volume de observações deverá permitir construir extensos conjuntos de dados sobre estrelas e galáxias, ajudando os investigadores a compreender melhor a estrutura da Via Láctea e a evolução das galáxias ao longo do tempo.
O projeto representa também um marco para as equipas científicas e técnicas envolvidas na conceção e construção do instrumento.
“O projeto MOONS foi um dos maiores desafios que enfrentámos. Este momento representa o culminar de 16 anos de trabalho, desde os primeiros esboços do conceito do instrumento até à chegada da primeira luz”, afirmou Alexandre Cabral, especialista em instrumentação astronómica e investigador da FCUL.
Novo instrumento abre uma janela para o Universo distante
Com capacidade para observar simultaneamente cerca de mil alvos e estudar regiões obscurecidas por poeira cósmica, o MOONS deverá assumir um papel relevante na investigação astronómica durante a próxima década.
A participação de investigadores portugueses no projeto reforça a presença da ciência nacional em grandes iniciativas internacionais de astronomia. Os dados recolhidos poderão fornecer novas pistas sobre a estrutura e evolução da Via Láctea, bem como sobre a formação das galáxias mais distantes do Universo.

Tomás Azevedo é autor no Barcelos na Net, cobrindo notícias, política, negócios, tecnologia, desporto, entretenimento e estilo de vida. Procura apresentar informação clara, atual e relevante, ajudando os leitores a compreender os acontecimentos e tendências que influenciam a sociedade e o quotidiano.

Más historias
Telescópio Espacial Nancy Grace Roman prepara-se para abrir uma nova janela sobre o Universo
Espelhos espaciais podem brilhar mais do que a Lua cheia e preocupam cientistas
GovHorizon leva inteligência artificial para o setor espacial português