O custo global dos alimentos voltou a subir em julho, impulsionado principalmente pelas ondas de calor, pelos preços da energia e pelo cenário internacional marcado por conflitos e instabilidade. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os aumentos foram mais evidentes nos preços do açúcar, cereais e óleos vegetais.
O cenário preocupa mercados internacionais e pode refletir-se nos preços pagos pelos consumidores nos próximos meses, incluindo nos países europeus, onde fatores externos continuam a influenciar os custos de produção e distribuição alimentar.
Índice da FAO atinge valor mais elevado em três anos e meio
O Índice de Preços dos Alimentos da FAO registou uma subida de 0,6% em julho face ao mês anterior e de 1% em comparação com julho do ano passado.
O indicador, que acompanha a evolução mensal dos preços de um conjunto de produtos alimentares comercializados internacionalmente, aumentou para 131,1 pontos, contra os 130,3 pontos registados em junho.
De acordo com a FAO, este é o nível mais elevado alcançado pelo índice nos últimos três anos e meio, refletindo os efeitos combinados de fenómenos climáticos extremos e de conflitos que afetam cadeias globais de abastecimento.
O aumento dos preços das matérias-primas tende a chegar posteriormente aos consumidores, uma vez que produtores e fornecedores acabam por transferir parte dos custos adicionais para os preços finais.
Açúcar, cereais e óleos vegetais lideram aumentos
Em julho, os principais responsáveis pela subida do índice foram o açúcar, com um aumento de 5,6%, os cereais, que cresceram 3,4%, e os óleos vegetais, que avançaram 2%.
A FAO explicou que estes aumentos foram parcialmente compensados pela descida dos preços da carne e dos produtos lácteos.
Calor extremo afeta produção de açúcar e cereais
Os preços do açúcar aumentaram devido às preocupações com os impactos das ondas de calor e da seca na produção europeia, além dos efeitos do fenómeno climático El Niño sobre as colheitas asiáticas.
Apesar da subida registada em julho, o índice do açúcar permanece cerca de 8% abaixo do valor observado no mesmo período do ano anterior.
Nos cereais, o impacto climático também foi significativo. A onda de calor que atingiu a Europa em junho terá levado à perda de cerca de 9 milhões de toneladas de culturas, incluindo trigo, cevada, milho e aveia.
O trigo foi um dos produtos mais afetados, com uma subida de 5,8% em julho e de 9,9% em comparação anual. A FAO destacou ainda as preocupações relacionadas com possíveis interrupções nas exportações através do Mar Negro, uma região essencial para o comércio mundial de cereais.
O milho também registou aumento de preços, com uma subida de 3,6%, influenciado pelos custos energéticos e pelas condições meteorológicas adversas. Já os preços do arroz mantiveram-se relativamente estáveis.
Óleos vegetais atingem maior valor desde 2022
O índice de preços dos óleos vegetais atingiu em julho o nível mais elevado desde junho de 2022.
Segundo a FAO, o óleo de palma foi impulsionado pela forte procura do setor de biodiesel da Indonésia e pelo aumento dos preços do petróleo bruto.
O óleo de soja também registou uma valorização, enquanto os preços dos óleos de girassol e de colza apresentaram uma tendência de queda.
Além dos fatores climáticos, as tensões geopolíticas continuam a pressionar o mercado alimentar. A instabilidade relacionada com o conflito no Médio Oriente tem impacto nos custos, especialmente devido à importância estratégica do Estreito de Ormuz para o transporte de fertilizantes.
Preços da carne e dos produtos lácteos recuam
Enquanto alguns alimentos ficaram mais caros, outros registaram descidas.
O índice de preços da carne caiu 2,8% em relação ao máximo histórico alcançado em junho, marcando a primeira redução mensal do ano.
Os preços da carne de aves diminuíram devido à maior disponibilidade para exportação, especialmente no Brasil. Também houve redução nos preços da carne suína e bovina.
A única exceção foi a carne de ovino, que registou uma nova máxima histórica em julho.
Já o índice dos produtos lácteos apresentou uma ligeira queda de 0,7%, influenciado pela descida dos preços da manteiga e do leite em pó, que compensou parcialmente o aumento registado no queijo.
ONU alerta para risco de aumento da fome global
A subida dos preços alimentares representa uma preocupação maior para populações em situação de insegurança alimentar.
O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas alertou recentemente que cerca de 50 milhões de pessoas poderão ser empurradas para uma situação de fome aguda até ao final do próximo ano, devido aos impactos climáticos associados ao fenómeno El Niño.
A combinação entre alterações climáticas, conflitos internacionais e instabilidade nos mercados agrícolas continua a representar um desafio para a segurança alimentar global, pressionando governos e organizações internacionais a procurar novas estratégias para garantir o acesso a alimentos básicos.

Tomás Azevedo é autor no Barcelos na Net, cobrindo notícias, política, negócios, tecnologia, desporto, entretenimento e estilo de vida. Procura apresentar informação clara, atual e relevante, ajudando os leitores a compreender os acontecimentos e tendências que influenciam a sociedade e o quotidiano.

Más historias
China ultrapassa um milhão de automóveis exportados num só mês e reforça liderança global no setor
Azul devolve hoje o seu maior avião cor-de-rosa no âmbito da reestruturação
Mercadona anuncia nova loja em Portimão e está a recrutar: conheça os salários