Um investimento público de 2,8 milhões de euros vai permitir melhorar significativamente as condições de navegabilidade do Rio Guadiana no concelho de Mértola, no distrito de Beja. A intervenção surge na sequência dos danos provocados pelo mau tempo e é vista como uma oportunidade estratégica para dinamizar o turismo e a economia local no Alentejo.
Projeto visa recuperar margens e desassorear o Guadiana
A intervenção resulta de um contrato-programa celebrado entre a Câmara Municipal de Mértola, a Agência Portuguesa do Ambiente e o Fundo Ambiental.
O projeto contempla operações de desassoreamento do leito do rio, limpeza e estabilização das margens, bem como a reposição de infraestruturas de apoio à navegação entre Mértola e a localidade do Pomarão.
Está igualmente prevista a intervenção no troço entre a foz da Ribeira de Oeiras e a Ribeira de Carreiras, zonas onde a acumulação de sedimentos tem dificultado a circulação fluvial.
Intervenção integrada em pacote nacional de 50 milhões de euros
Este investimento insere-se num programa mais amplo de cerca de 50 milhões de euros, disponibilizado pelo Governo português através do Fundo Ambiental, destinado a intervenções urgentes em aproximadamente 40 municípios afetados por fenómenos meteorológicos adversos.
No caso de Mértola, o apoio financeiro será direcionado para ações prioritárias que visam não só recuperar danos recentes, mas também prevenir futuros constrangimentos ao uso do rio.
Navegabilidade do rio é prioridade estratégica
Segundo o presidente da Câmara Municipal de Mértola, Mário Tomé, este investimento representa um passo decisivo para o desenvolvimento do território.
“Este investimento permite-nos concretizar um projeto estruturante e muito importante para o desenvolvimento de Mértola”, afirmou à agência Lusa.
O autarca explicou que as condições do rio se agravaram após o mau tempo registado em fevereiro, que intensificou a acumulação de sedimentos em zonas críticas, impedindo a navegabilidade até à vila.
“De um problema nasceu uma oportunidade de excelência”, sublinhou.
Três eixos de intervenção no território
O projeto assenta em três componentes principais:
Recuperação das margens e frente ribeirinha
Uma das vertentes passa pela requalificação das margens do rio e da frente ribeirinha em Mértola, incluindo uma obra recente no valor de cerca de 400 mil euros.
Reabilitação de infraestruturas náuticas
Está também prevista a recuperação de 10 estruturas náuticas, fundamentais para apoiar atividades turísticas e piscatórias, setores com peso relevante na economia local.
Dragagem do rio para garantir circulação
A componente central do projeto é a dragagem do leito do Guadiana, considerada essencial para restabelecer a navegabilidade até Mértola. Esta intervenção permitirá remover sedimentos acumulados e melhorar as condições de segurança para embarcações.
Impacto ambiental e valorização turística
De acordo com o município, a intervenção pretende igualmente salvaguardar os valores ambientais e paisagísticos associados ao Rio Guadiana, um dos principais recursos naturais da região.
A melhoria das condições do rio deverá contribuir para reforçar a atratividade turística de Mértola, conhecida pelo seu património histórico e pela integração no Parque Natural do Vale do Guadiana.
Conclusão
A requalificação do Rio Guadiana em Mértola representa uma intervenção estruturante com impacto direto na mobilidade fluvial, no turismo e na economia local. Ao garantir melhores condições de navegabilidade e preservar o património natural, o projeto reforça o papel do rio como eixo central de desenvolvimento sustentável no interior do Alentejo.

Tomás Azevedo é autor no Barcelos na Net, cobrindo notícias, política, negócios, tecnologia, desporto, entretenimento e estilo de vida. Procura apresentar informação clara, atual e relevante, ajudando os leitores a compreender os acontecimentos e tendências que influenciam a sociedade e o quotidiano.

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