Pico da Neblina será reaberto para visitação em 2018

Pico da Neblina será reaberto para visitação em 2018
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O Parque Nacional do #Pico da Neblina, no Amazonas, atualmente fechado por determinação do Ministério Público Federal e do Ibama, será reaberto para os turistas em  2018, assim que os moradores locais – índios da etnia #Yanomami – terminarem seus preparativos para receber e acompanhar visitantes até o alto da montanha. Com aproximadamente 2.995 metros de altura, o Pico da Neblina é o mais alto do país, sendo que o segundo mais alto, o Pico 31 de Março, com cerca de 2.974 metros, fica localizado no interior do mesmo parque.

 
Até 2003, agências de turismo vendiam pacotes para visitar o Pico da Neblina, contratavam os Yanomami como guias e carregadores e repassavam a eles uma porcentagem mínima – tudo sem autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgãos públicos responsáveis pelas terras do Parque.
 

Diante de acusações de exploração do trabalho humano e uso de terras públicas para fins econômicos, o Ministério Público e o Ibama determinaram o fechamento do Parque. Desde então, todo acesso ao local passa por um controle rigoroso.

Os preparativos para a reabertura começaram em 2012, com a criação de um conselho gestor do Parque, formado por membros do Exército Brasileiro, da Funai e do ICMBio, além de membros da sociedade civil e do povo Yanomami. A partir daí, a Funai passou a acompanhar a criação de um plano de visitação através da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami Ye’Kuana (FPEYY), procurando respeitar as decisões da comunidade e proteger assim a autonomia do povo Yanomami.

No ano passado, uma expedição ao Pico da Neblina serviu como teste prático e reuniu elementos para a comunidade decidir como explorar a atividade de #Ecoturismo no local.

 

A estimativa é de que 80 Yanomami prestarão serviços regularmente, e outros 800 serão beneficiados direta ou indiretamente pelo fluxo de turistas. O ecoturismo, assim, surge como alternativa ao garimpo, que hoje se mostra como a única opção de renda a muitos índios locais. Outros benefícios esperados, segundo a Funai, são “a vigilância do território, a valorização cultural e a sensibilização dos não índios para a defesa da floresta e dos direitos indígenas”.

Quando levado a cabo, esse será o primeiro projeto de ecoturismo em terras indígenas brasileiras.

A expedição-teste

Em julho de 2016, foi realizada uma expedição ao Pico da Neblina reunindo membros do Instituto Sociambiental (ISA), Funai, Ministério Público Federal do Amazonas, ICMBio (PARNA Pico da Neblina) e Exército Brasileiro, além, claro, dos representantes Yanomami.

Foram dez dias de expedição, partindo da localidade do Igarapé Tucano, Terra Indígena Yanomami no município de São Gabriel da Cachoeira, AM, percorrendo 36km até o Pico e depois retornando a São Gabriel da Cachoeira.

 

O guia foi o pajé Carlos Yanomami, acompanhado de outros 18 Yanomami que estão se capacitando para trabalhar como guias, carregadores e cozinheiros, além de toda a gestão do empreendimento de ecoturismo que será desenvolvido ali.

Na ocasião, registrou-se a primeira vez que uma mulher Yanomami chegou ao topo do Pico da Neblina – ou Yaripo, como o Pico é chamado entre eles, um local sagrado.

Uma tradução possível para a palavra Yaripo seria algo como “montanha do vento e da tempestade”.

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