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Bosch adapta motor V6 Nettuno da Maserati para funcionar a hidrogénio

Bosch adapta motor V6 Nettuno da Maserati para funcionar a hidrogénio

O futuro do motor de combustão interna poderá passar por abandonar a gasolina sem, necessariamente, abandonar a própria combustão. É essa possibilidade que a Bosch está a explorar ao utilizar hidrogénio como combustível num dos motores V6 mais sofisticados da atualidade.

Embora a Toyota tenha sido uma das marcas mais associadas ao desenvolvimento de motores de combustão alimentados a hidrogénio, outras empresas também investigam esta tecnologia. A Bosch Motorsport escolheu como base o Nettuno da Maserati, um V6 biturbo de 3,0 litros originalmente desenvolvido para modelos de elevado desempenho.

V6 Nettuno da Maserati passa a funcionar com hidrogénio

O Nettuno distingue-se, entre outras soluções técnicas, pelo sistema de pré-câmara de combustão, uma tecnologia inspirada no universo da Fórmula 1 e concebida para melhorar a eficiência do processo de combustão.

A Bosch Motorsport adaptou este motor para queimar hidrogénio e os primeiros resultados mostram um desempenho superior ao da versão equivalente alimentada a gasolina. O propulsor foi instalado no Ligier JS2 RH2, um protótipo desenvolvido em conjunto pela Bosch Engineering, Ligier Automotive e Maserati.

O projeto tem vindo a evoluir através de sucessivos testes e mantém vários componentes do Nettuno original, incluindo as duas cabeças dos cilindros e os turbocompressores. No entanto, foram necessárias alterações importantes para permitir a utilização de hidrogénio.

Pistões e sistema de injeção foram modificados

Entre as principais mudanças estão novos pistões, cuja geometria permite reduzir a taxa de compressão. O sistema de ignição e a unidade eletrónica de controlo do motor também foram adaptados às características específicas do novo combustível.

Uma das alterações mais relevantes encontra-se no sistema de alimentação. O Nettuno de produção combina injeção direta e indireta de gasolina. Na versão a hidrogénio, a Bosch utiliza exclusivamente injeção direta através dos novos injetores HIDI LCV.

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O resultado é uma potência aproximada de 480 kW, equivalente a 653 cv, e um binário máximo de 880 Nm. Como termo de comparação, o V6 Nettuno de 3,0 litros alimentado a gasolina utilizado no Maserati MCPURA desenvolve 630 cv e 720 Nm.

Além dos números de potência e binário, a fiabilidade demonstrada durante os ensaios é um dos aspetos destacados pela Bosch. Segundo a empresa, o Ligier JS2 RH2 e o respetivo motor já percorreram quase 8000 quilómetros em circuito, enfrentando diferentes condições meteorológicas sem registo de problemas técnicos.

Hidrogénio mantém o princípio do motor de combustão

Apesar de utilizar hidrogénio, o sistema continua a ser um motor de combustão interna. Não se trata, portanto, de um automóvel elétrico equipado com uma pilha de combustível, como acontece com o Toyota Mirai.

Neste caso, o hidrogénio é introduzido diretamente no motor e queimado no interior dos cilindros, num processo semelhante ao utilizado com gasolina nos motores convencionais.

Uma das principais vantagens está na composição química do combustível. Como o hidrogénio não contém carbono, a sua combustão não produz diretamente dióxido de carbono proveniente do próprio combustível.

Isso não significa, contudo, que o escape fique totalmente livre de emissões. As elevadas temperaturas atingidas durante a combustão podem provocar a formação de óxidos de azoto (NOx), tornando essencial um controlo rigoroso de todo o processo.

Origem do hidrogénio é decisiva para reduzir emissões

O impacto ambiental desta tecnologia depende também da forma como o hidrogénio é produzido. Para que a redução das emissões de carbono seja significativa numa perspetiva global, o combustível terá de ser obtido através de fontes energéticas de baixo carbono, preferencialmente renováveis.

Esta questão é particularmente relevante na Europa, onde a produção de hidrogénio renovável é vista como uma possível ferramenta para descarbonizar setores nos quais a eletrificação direta apresenta maiores dificuldades.

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Bosch vê tecnologia como complemento aos veículos elétricos

A Bosch não pretende apresentar o motor a hidrogénio como substituto universal dos veículos elétricos a bateria ou dos sistemas de pilha de combustível. A tecnologia é encarada como uma solução adicional para aplicações onde fatores como elevada potência, robustez e rapidez de reabastecimento assumem especial importância.

Por enquanto, o V6 Nettuno alimentado a hidrogénio permanece limitado à fase de protótipo. A Ligier admite, contudo, diferentes possibilidades para a evolução do projeto, incluindo um automóvel destinado a utilização em circuito que combine tecnologia da Maserati com os sistemas de hidrogénio desenvolvidos pela Bosch.

Os resultados mostram que o motor de combustão ainda poderá encontrar novos caminhos numa indústria automóvel cada vez mais orientada para a redução das emissões. O hidrogénio não elimina todos os desafios, mas poderá permitir que este tipo de mecânica continue a ter espaço em aplicações específicas de alto desempenho.