A empresa tecnológica GovHorizon, sediada na Startup Leiria, vai colaborar com a Agência Espacial Portuguesa no desenvolvimento de ferramentas de análise estratégica baseadas em inteligência artificial. A startup pretende ajudar a identificar tendências tecnológicas, alterações regulatórias e movimentos geopolíticos com impacto no setor espacial nacional.
Plataforma analisa milhares de fontes para apoiar decisões estratégicas
Criada por Pedro Tavares, antigo secretário de Estado da Justiça, em conjunto com Isabel Rosa, Guido Santos, Luís Pinto e Sérgio Pereira, a GovHorizon desenvolveu uma plataforma de inteligência estratégica que utiliza inteligência artificial para analisar grandes volumes de informação.
A solução cruza dados estatísticos, indicadores económicos, legislação, propostas regulatórias e informação interna das organizações, permitindo antecipar cenários e apoiar processos de decisão.
Segundo Pedro Tavares, CEO e cofundador da empresa, a tecnologia permite transformar grandes quantidades de informação em conhecimento útil para organizações públicas e privadas.
Agência Espacial Portuguesa aposta na antecipação de tendências
A parceria com a Agência Espacial Portuguesa surge num contexto de rápida evolução do setor espacial, marcado pelo aumento do investimento público e privado e pela crescente ligação entre espaço, defesa e segurança.
A plataforma da GovHorizon permitirá acompanhar alterações legislativas ainda em preparação e identificar tendências com potencial impacto para a estratégia espacial portuguesa. O objetivo é reduzir o tempo dedicado à recolha e monitorização de informação, permitindo que as equipas se concentrem na análise e definição de políticas.
“O setor do espaço evolui a uma velocidade sem precedentes, que obriga a definir o posicionamento das instituições com antecedência e sobre matérias cada vez mais complexas, da legislação europeia à geopolítica. Trabalhar com uma plataforma portuguesa capaz de ler esses sinais mais cedo é uma vantagem para Portugal e para o ecossistema espacial nacional”, afirma Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa.
Defesa é uma das áreas estratégicas para a startup
Além do setor espacial, a GovHorizon está também a desenvolver atividade na área da defesa, considerada uma das áreas prioritárias para a empresa.
“Na defesa também temos estado a avançar. Fomos recentemente selecionados pela IdD [Portugal Defence] como uma das empresas para o dia de Portugal na NATO e tem havido bastante disponibilidade. Estamos a preparar a nossa integração em consórcios, mas são processos mais longos, que ainda decorrem”, explica Pedro Tavares.
A empresa pretende integrar projetos ligados à análise estratégica e apoio à decisão em setores onde a informação regulatória e geopolítica tem um papel relevante.
Expansão para setores regulados e novos mercados
A GovHorizon identificou como mercados-alvo setores altamente regulados, incluindo finanças, telecomunicações, saúde, energia, administração pública e defesa.
A empresa disponibiliza serviços ligados a estratégia, inteligência de mercado, conformidade regulatória e competitividade, através de modelos adaptados às necessidades de cada área.
Pedro Tavares destaca que o setor financeiro tem demonstrado interesse devido ao potencial de redução do trabalho manual associado à análise de informação e preparação de pareceres. A administração pública local é outro dos segmentos onde a tecnologia tem despertado atenção, sobretudo pela capacidade de antecipar cenários ligados à gestão territorial e utilização de recursos.
Startup prepara internacionalização
Com sede na Startup Leiria e presença em Lisboa através do AIHub by Unicorn Factory, a GovHorizon tem também planos de expansão internacional.
A empresa está a trabalhar na entrada em mercados europeus e considera igualmente oportunidades fora da Europa, incluindo o Brasil.
Para Pedro Tavares, a colaboração com a Agência Espacial Portuguesa poderá tornar-se uma referência para futuras aplicações da tecnologia em diferentes contextos públicos e privados.
Meta de crescimento mantém-se
A startup mantém o objetivo de conquistar cerca de 300 clientes e atingir uma faturação entre três e quatro milhões de euros nos próximos três anos.
Para alcançar essa meta, a empresa pretende lançar versões mais simples da sua plataforma, direcionadas sobretudo para pequenas e médias empresas, permitindo que mais organizações tenham acesso a ferramentas de análise estratégica.
Segundo o CEO, esta aposta procura responder às necessidades de um tecido empresarial onde as pequenas e médias empresas representam uma parte significativa da economia portuguesa.

Tomás Azevedo é autor no Barcelos na Net, cobrindo notícias, política, negócios, tecnologia, desporto, entretenimento e estilo de vida. Procura apresentar informação clara, atual e relevante, ajudando os leitores a compreender os acontecimentos e tendências que influenciam a sociedade e o quotidiano.

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