Nova embalagem evita depósito obrigatório aplicado às garrafas até três litros
A marca de água Penacova lançou uma nova garrafa com capacidade de 3,1 litros, numa estratégia que permite escapar ao sistema de depósito de embalagens Volta, em vigor em Portugal desde abril deste ano.
A medida surge pouco mais de um mês após a implementação do novo modelo de recolha e devolução de embalagens de bebidas, que acrescenta um depósito de 10 cêntimos a garrafas e latas abrangidas pelo sistema.
Segundo a empresa, a nova embalagem foi concebida para ser “a mais versátil do mercado”, destacando vantagens práticas como o facto de caber no frigorífico e evitar o custo adicional associado ao Volta.
Como funciona o sistema Volta
O sistema Volta aplica-se a embalagens de plástico, metal e alumínio até três litros que apresentem o símbolo identificativo do programa.
Na prática, os consumidores pagam mais 10 cêntimos por cada embalagem no momento da compra. Esse valor pode depois ser recuperado através da devolução das embalagens vazias em máquinas automáticas ou pontos de recolha manual.
Para serem aceites, as embalagens têm de estar intactas, com tampa e código de barras legíveis.
A criação da garrafa de 3,1 litros permite à Penacova ficar fora do limite definido pela legislação, evitando assim a cobrança do depósito adicional.
Estratégia levanta debate sobre eficácia do modelo
A decisão da marca já está a gerar discussão sobre a eficácia do sistema e sobre possíveis adaptações de mercado para contornar as regras atualmente em vigor.
O sistema Volta foi criado com o objetivo de incentivar a reciclagem e reduzir o abandono de resíduos, seguindo modelos semelhantes implementados noutros países europeus.
Contudo, alguns consumidores têm manifestado preocupação com os custos adicionais associados ao processo, sobretudo em agregados familiares com maior consumo de bebidas embaladas.
A associação DECO PROteste alertou recentemente para o impacto financeiro de quem não devolve as embalagens. Segundo os cálculos da organização, uma pessoa que consuma diariamente uma garrafa de água e não a entregue nos pontos de recolha poderá perder cerca de 36 euros por ano.
Rede de máquinas ainda está em expansão
Apesar de já estar operacional, o sistema Volta continua numa fase de implementação gradual em Portugal.
Atualmente existem cerca de 2.500 máquinas de recolha instaladas no país, número que deverá aumentar para 3.000 nos próximos meses.
Até 9 de agosto mantém-se também um período transitório, durante o qual muitas embalagens ainda circulam sem o selo identificativo obrigatório do sistema.
A expansão da rede de recolha é considerada essencial para garantir maior adesão dos consumidores e facilitar a devolução das embalagens em supermercados e espaços comerciais.
Mercado adapta-se às novas regras ambientais
A aposta da Penacova demonstra como as marcas estão a adaptar rapidamente estratégias comerciais às novas exigências ambientais e fiscais associadas às embalagens de bebidas.
Enquanto o Governo procura aumentar as taxas de reciclagem e promover a economia circular, empresas e consumidores continuam a ajustar-se às mudanças introduzidas pelo sistema Volta, cujo impacto real no consumo e na gestão de resíduos deverá tornar-se mais claro nos próximos meses.

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