São Gabriel da Cachoeira, diocese mais indígena do Brasil, recebe o Card. Hummes

São Gabriel da Cachoeira, diocese mais indígena do Brasil, recebe o Card. Hummes
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Na Diocese de São Gabriel da Cachoeira caberia todo o Estado de São Paulo. Dali se vai ao pico mais alto do Brasil, o Pico da Neblina, com seus mais de 3 mil metros, rodeado pela maior floresta tropical do mundo. 90% do município é indígena; é a primeira cidade brasileira a sancionar o Nheengatu (ou Língua Geral) como oficial, podendo ser ensinado em escolas, constar em documentos oficiais, ser usada em órgãos do governo etc.

Explicar onde fica São Gabriel é fácil: olhando no mapa do Amazonas, está no extremo noroeste, no limite com a Colômbia e a Venezuela, às margens da Bacia do Rio Negro. Chegar lá não é tão fácil assim: são 850km de Manaus, viajando de barco três ou quatro dias, de lanchas ou, 4 vezes por semana, com o pequeno avião que parte de Manaus. 

A diocese receberá dentro de alguns dias um visitante especial. Por alguns dias, ele participará de um curso de Catequese Indígena Inculturada numa aldeia fora da cidade. Quem dá a notícia è o bispo, Dom Edson Damian: 

No próximo dia 29 de agosto, chegará aqui conosco o Cardeal Cláudio Hummes, Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia. Como foi meu professor de filosofia, temos uma longa amizade, e ele há mais tempo me pedia ‘quero visitar uma paróquia totalmente indígena. Este ano, estamos realizando semanas intensivas sobre catequese indígena inculturada, e Dom Cláudio chega e no dia seguinte, vamos a uma paróquia chamada Iauaretê, bem na divisa com a Colômbia. Ele vai ficar lá cinco dias conosco, acompanhando este estudo da catequese indígena inculturada. Um padre indígena vai nos assessorar, praticamente todo o encontro será falado na língua índia, com alguém que fará a tradução para nós. Então, Dom Cláudio vem cheio de expectativa, ele nos dizia que ‘indo a Roma, quero relatar ao Papa Francisco aquilo que vi e ouvi desta Igreja indígena do Rio Negro. É uma visita que nos alegra muito e certamente terá algum resultado positivo, pois quando um cardeal chega aqui aos confins do Brasil e fica 5, 6 dias conosco, a gente se sente contemplado por alguém que vem em nome da Comissão Episcopal para a Amazônia, ele é um cardeal que sabemos que faz a linha direta do Brasil com o nosso querido Papa Francisco”.

Fundada em 1761 pelo capitão de Portugal José da Silva Delgado, São Gabriel da Cachoeira passou pouco mais de dois séculos alheia ao desenvolvimento experimentado por outras cidades amazonenses, e isto faz dela o lugar ideal para quem busca um contato mais próximo com a natureza e com aspectos culturais nativos. 

Aqui 95% da população são indígenas que pertencem a 23 etnias diferentes e ainda hoje, são faladas 18 línguas. É um laboratório linguístico de primeira grandeza. Quando sabemos que cada língua traz tesouros particulares em relação à cultura, à antropologia, à cosmologia e à visão de Deus, então aqui nós estamos num paraíso. Isto é extraordinário. A diocese é imensa: ela tem 293 mil km2, é maior que o estado de São Paulo… abrange toda a bacia do Rio Negro, que é o principal afluente do Rio Amazonas. Tem apenas 3 municípios: Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, onde está a sede da diocese”. 
(CM)

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