A possível saída da International Airlines Group (IAG) do processo de privatização da TAP Air Portugal surge como um novo desenvolvimento num dossiê estratégico para o setor da aviação em Portugal e na Europa. A operação, acompanhada de perto pelo Governo português, tem sido vista como uma oportunidade para reforçar a competitividade da transportadora nacional num mercado altamente disputado.
IAG poderá abandonar interesse na TAP
Segundo fontes próximas do processo citadas pela Bloomberg News, a IAG — grupo que detém companhias como a British Airways e a Iberia — estará a ponderar desistir da aquisição de uma participação na TAP Air Portugal.
O grupo havia manifestado, em novembro de 2025, interesse em adquirir uma posição minoritária na companhia portuguesa, posicionando-se como um dos principais candidatos no processo de privatização.
No entanto, de acordo com a mesma reportagem, apesar de ainda não existir uma decisão final, a IAG poderá optar por não avançar com uma proposta vinculativa, mesmo tendo a possibilidade de apresentar uma oferta preliminar até ao prazo limite de 2 de abril.
Concorrência europeia mantém-se atenta
A eventual retirada da IAG não significa falta de interesse internacional. Outros grandes grupos europeus continuam atentos ao processo, nomeadamente a Air France-KLM e o grupo Lufthansa.
Estas empresas têm vindo a demonstrar interesse estratégico na TAP, sobretudo devido à sua forte presença nas rotas transatlânticas, em particular para o Brasil, África lusófona e América do Norte — mercados considerados cruciais para a expansão das companhias europeias.
A TAP Air Portugal, com hub em Lisboa, desempenha um papel relevante na conectividade entre a Europa e países de língua portuguesa, o que aumenta o seu valor estratégico no contexto global da aviação.
Privatização retomada pelo Governo português
O Governo português retomou, em julho de 2025, o processo de privatização da TAP, após várias tentativas anteriores e num contexto de reestruturação financeira da empresa.
O objetivo passa pela venda de até 49,9% do capital da companhia, permitindo ao Estado manter uma posição relevante enquanto atrai investimento privado e know-how internacional.
No início de 2026, os potenciais interessados foram convidados a apresentar propostas preliminares, marcando uma nova fase do processo.
Incerteza mantém-se no processo
Apesar do interesse manifestado por vários grupos, o futuro da TAP continua envolto em alguma incerteza. A decisão final dependerá não apenas das propostas apresentadas, mas também de fatores políticos, económicos e estratégicos.
Para Portugal, a escolha de um parceiro adequado é considerada crucial, tendo em conta o impacto da TAP na economia nacional, no turismo e na ligação às comunidades portuguesas no estrangeiro.
Conclusão
A possível desistência da IAG representa mais um capítulo num processo complexo e altamente estratégico para o setor da aviação portuguesa. Com outros grandes grupos ainda em jogo, o desfecho da privatização da TAP permanece em aberto, sendo aguardadas com expectativa as próximas etapas e decisões do Governo.

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