TÁ COMPLICADO SER ECLÉTICO!

 

coluna o que você tem a falar sobre música?

TÁ COMPLICADO SER ECLÉTICO!

Eu sou eclético, curto de um tudo! Essa frase não é minha, não sei se um dia vou conseguir falar tal coisa, juro que já tentei seguir essa linha, mas aqui é um pouco complicado. Não sou do tipo que enxerga o seu estilo musical como o suprassumo da música e os restantes como lixo total, tem coisas ruins em todos os gêneros, tem gente de talento e produzindo coisas boas em todos os estilos, o lance é garimpar. Acredito que a música brasileira vive uma de suas piores fases, na verdade a música mundial vive isso, mas vou me limitar ao meu mundo, do Rio Negro para o Brasil, exatamente nessa ordem.

Eu gosto de rock, não sou roqueiro, apenas gosto muito de rock, mas não se admire se eu falar que o primeiro CD que comprei com meu próprio dinheiro foi o “A terra é azul”, do Boi Caprichoso no ano de 2000, isso me faz ter a impressão que “matei” as boas músicas vindas daquela ilha. Pretensão demais? Pode ser que sim! Fato é que aquele foi o último que gostei de toadas, sinceramente não sei o que mudou, acho que a culpa dessa minha mudança de percepção veio depois de eu escutar “Piano Bar” dos Engenheiros, versão do disco 10.000 Destinos, um disco ao vivo, que nem sei como apareceu lá por casa, eu morava em Barcelos nesse ano. Meu “PAIdrasto” sempre ouviu (e curte até hoje) umas coisas estranhas, digo isso baseado na opinião dos vizinhos, sempre acharam aquelas músicas muito engraçadas, não ruins, apenas engraçadas. Ele é um verdadeiro descobridor de futuros hits, antes de Pepe Moreno ficar famoso riscando facas domingos legais a fora, meu padrasto já curtia, a voz da Joelma e as palhetadas de Chimbinha certamente apareceram primeiro na minha casa, acho que seu Luiz perdeu de ficar rico, duvido muito que alguém tenha curtido o trampo dessa galera antes dele. 

Meu padrasto também ouvia umas paradas legais, músicas que certamente um “roqueiro” iniciante chamaria de merda, mas que na verdade são obras de grande valor cultural, Mastruz com Leite, Cavalo de Pau, Magníficos e muitas outras que não vou lembrar agora, bandas que faziam música de qualidade, obviamente que, para minha infelicidade, coube a minha geração acompanhar o declínio da boa música através de bandas que mudaram totalmente o jeito de se trabalhar as canções. A galera agora abusa do duplo sentido e do conteúdo inútil, não podemos generalizar, ainda existem remanescentes da música de qualidade dentro de cada gênero, mas é inegável a pobreza de conteúdo na maioria. Não sei se é saudosismo demais, não sei se toda geração acha que tudo em sua época é melhor que a da geração dos outros, sei que quando eu morava em Barcelos, duas esquinas de distância do Cajueiro Drinks, achava muito foda ouvir Pintacuia e Wanderley Andrade.

Em linhas gerais, acredito que era bem mais fácil ser eclético ali pelo início dos anos 2000, não éramos vítimas da predominância musical imposta pela indústria fonográfica, até rolava algo do tipo, mesmo assim, naquela época ainda primavam um pouco pela qualidade, o sertanejo ainda era ensino médio e hoje está aí, quase um retrato fiel do novo perfil do “terceiro grau” e digo mais: Dias piores virão!

 

Por Ds Alves.

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Ds Alves é publicitário, especialista em marketing empresarial, cursa MBA em gerenciamento de projetos, vocalista da banda de pop rock Caixa Preta, barcelense de coração, por opção.

 

 

 

 

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