PF-AM cumpre mandados de busca e apreensão no gabinete e na casa da desembargadora Encarnação. Oito advogados também são alvos

Encarnação-Salgado

O gabinete da desembargadora Encarnação Salgado, no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), e a casa dela estão sendo alvos do cumprimento de pelo menos 30 mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF), no começo da manhã desta quinta-feira (09/06). As ordens são do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em repercussão da Operação la Muralla, da Polícia Federal no Amazonas, voltada às organizações criminosas do Estado.

A magistrada é citada em várias denúncias, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por assinar Alvarás de Soltura para liberdade de presidiários, principalmente acusados de tráfico de drogas, ligados ao grupo criminoso Família do Norte (FDN), durante os plantões de fim de semana. Encarnação, conhecida como “Mãezona” pelos criminosos, também é o centro de volumoso dossiê do Ministério Público Estadual do Amazonas (MPE-AM), mostrando a coincidência das solturas e os plantões da magistrada. Foi registrada, em escutas telefônicas que vazaram na imprensa, a frenética captação de recursos nos subterrâneos do crime, segundo a polícia para pagamento de propina pelas solturas.

PF-AM cumpre mandados de busca e apreensão no gabinete e na casa da desembargadora Encarnação. Oito advogados também são alvos

Policiais da PF, em quatro viaturas, aguardaram a chegada do corregedor do TJAM, desembargador Flávio Pascarelle, para o cumprimento dos mandados no gabinete de Encarnação. Eles chegaram às 6h à sede do TJAM, na avenida André Araújo, e também ao Fórum Henock Reis.

Há busca e apreensão em escritórios de advogados da área Penal, com acompanhamento da corregedoria da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM). Houve a informação inicial de que oito teriam sido presos, mas o presidente da Ordem, Marco Aurélio Choy, conversou com o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Marcelo Rezende, que negou as prisões.

Segundo o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas  (OAB/AM), Marco Aurélio Choy,  a instituição vai acompanhar os mandados de busca e apreensão em quatro escritórios e quatro residências de advogados. Os primeiros nomes divulgados são: Maria Goreth Terças de Oliveira, Luciana da Silva Terças, Flavícia Dias de Oliveira e Klinger da Silva Oliveira. Até o momento, segundo a OAB, nenhum advogado foi preso.