Padre João Balzola e a Missão Salesiana no Rio Negro

João Balzola nasceu em Villa Miroglio (Diocese de Casal Monferrato-Itália) a 2 de fevereiro de 1861, filho de Francesco e de Maria Balzola e faleceu em Barcelos 17 de agosto de 1927. Desde menino queria ser Padre, mas a vocação ficou em incubação até aos 24 anos, depois da vida militar. Tendo ouvido falar de D.Bosco como de um santo moderno, isto é, vivente e contemporâneo, se decidiu para a Congregação Salesiana. Entrou no Colégio S. João Evangelista em Turim em novembro de 1884 quando os Filhos de Maria eram transportados de Mathi para aquele colégio novo. Era Diretor o Servo de Deus Pe. Felipe Rinaldi que conservou do aluno grata memória pela piedade, simplicidade, amor ao trabalho e ardor pela salvação das almas.“

Após um maravilhoso trabalho no Mato Grosso, em meados de 1914 uma grande notícia veio transferir o Pe. Balzola para outro campo. A Santa Sé confiava aos salesianos a Prelazia do Rio Negro no Amazonas, e o homem indicado para fazer as primeiras explorações foi precisamente Pe. Balzola.

Partiu de Cuiabá nos primeiros dias de 1915 a alma generosa e simples de Pe. Balzola fez longa viagem do Rio até Belém, Manaus, e o extremo Cucuí, lá onde o Rio Negro sai do Brasil e corre entre Colômbia e Venezuela, encontrou em toda parte pessoas hospitaleiras e generosas que mereceram sua efusiva gratidão. Por quatro anos como fundador e diretor da nossa residência de São Gabriel, sede da Prelazia, trabalhou como fiel e animoso colaborador de Mons. Lourênço Giordano, desenvolvendo a lavoura da roça e da horta  vencendo toda sorte de dificuldades e sobretudo cristianizando os caboclos do Rio Negro.

Mas após 30 e tantos anos de fadigas contínuas nas missões de Mato Grosso e do Rio Negro, as fôrças extremadas induziram os Superiores a conceder-lhe uns meses de descanso. Só que do descanso ele pensava como D. Bosco: “Descansaremos no Paraíso”; por isso quando chegou à Itália, correu de cidade em cidade, chamado em toda parte para conferências que deixavam nas almas a mais profunda simpatia e amor às missões e aos missionários; 300 e tantas conferências foram o seu descanso!

Depois, mais gordo e forte voltou ao Rio Negro. Era daqueles anos a nova missão de Barcelos que tudo devia a ele; quando no porto ele viu os alunos e índios que tinham corrido a seu encontro, e os vivas que ecoavam pelos ares, não pôde pronunciar sequer uma palavra e murmurava somente comovidíssimo até às lágrimas:
“Oh! a Divina Providência! a Divina Providência!” Na festa do Coração de Jesus, lembrou que três anos antes, lá era deserto; agora circundava-o o pequeno clero, e meninos, índios, e povo apinhavam o ambiente. O ano anterior tinha sido terrível pelo vasto incêndio que durou semanas e meses cortando as comunicações com Manaus; a grande seca tinha provocado a falta de tudo, e o coração de Pe. Balzola sofreu indizivelmente; o físico começou a definhar, tornar-se magro até feito esqueleto.

A última excursão foi a Carvoeiro para as festas de S. Alberto, festas que apesar de todos os esforços dos missionários, conservavam um caráter de diversões profanas, mais que religiosas. Alma apostólica e sem acomodações, a vista de certas desordens, acelerou-lhe as febres; Pe. Balzola voltou a Barcelos febricitante e consumido. A resistência prolongou-se uns dias em que o grande missionário ainda ensinava da cama de suas dores a plácida resignação à vontade de Deus. Tudo tinha dado para os Índios e para as almas; com todos os Sacramentos a grande alma voou a Deus a 17 de agôsto de 1927.

Foi sepultado na Igreja de Barcelos, perto do presbitério, à esquerda de quem olha o altar; os alunos, entrando ou saindo da Igreja, têm na vista a lápide sepulcral que lembra a imolação do missionário cujo nome é ligado para sempre, à civilização dos Bororos e dos Tucanos.

Teve Pe. Balzota três dotes característicos: uma grande fé, uma paciência heroica, e uma caridade sem fim. Responsável de duas empresas difíceis e cheias de incógnitas (o início da Missão dos Bororos e a do Rio Negro), só com uma fé gigante não desanimou, encorajando todos, invocando continuamente o Coração de Jesus e N. Sra. Auxiliadora dos quais era devotíssimo.  
Deus envie às missões para cada geração homens como estes que definem uma época e representam os marcos históricos da civilização cristã.

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