Negociação de carbono é alternativa econômica para Amazonas

Juruá é o único município do estado que já negocia no mercado; Carauari deve ser o próximo

creditos-de-carbono
A preservação ambiental deve ser considerada como uma alternativa de geração de receita para estados e municípios da Amazônia. Manter a floresta em pé pode gerar créditos de carbono, que tem potencial para se tornar a nova commodity da economia verde. Um dos maiores empecilhos para os projetos em Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação (Redd) é a ausência de legislação nas esferas estaduais e municipais, aponta o pesquisador do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), Mariano Cenamo.
O município de Juruá (a 672 quilômetros da capital) ingressou no mercado de carbono até o momento. De acordo com o secretário-geral da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Tabira Ferreira, os próximos municípios a negociarem carbono devem ser Carauari e Borba. Juruá conta com o apoio de empresas investidoras que negociam os créditos de carbono em bolsas de valores internacionais.
Segundo Tabira, a tonelada do carbono é negociada entre U$$ 6 e U$$ 8. O investidor lucra 20% do negócio e o restante é receita do município. Outros municípios com grande potencial para ingressarem no mercado são: Barcelos, São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro.
Os estados do Acre e Mato Grosso já aderiram aos projetos em Redd em 2012 e 2013, respectivamente. De acordo com Mariano Cenamo, somente em 2013 o Acre amealhou U$$ 30 milhões em projetos do tipo. “Estamos perdendo uma grande oportunidade. Só não existem mais projetos desse tipo [no Amazonas] porque infelizmente não temos regulamentação”, lamenta. Na opinião do pesquisador, “o governo tem quer acordar para isso” e estabelecer regras como maneira de atrair investidores.
Regulamentação
No Amazonas, a lei que regulamenta o Redd está sendo discutida há três anos. “Segunda a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), o projeto de lei está na Casa Civil”. Para Cenamo, “por falta de vontade política a lei está parada”.
Outro possível empecilho seria a titularidade das terras dos municípios e a capacidade de evitar desmatamentos. “A maioria das terras do Amazonas são de titularidade federal, estadual, propriedade privada ou terras indígenas”, explica. Mas isso não quer dizer que o município não possa viabilizar projetos de crédito de carbono através de acordos.
O pesquisador aponta que os projetos de carbono são mais urgentes para os municípios que estão na fronteira do desmatamento porque pecuária e agricultura geram receita para municípios. “Infelizmente, a conservação florestal não tem gerado receita”, justifica.

Notícias Relacionadas