Gabrielense de 11 anos é a nova aposta do judô amazonense

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A Gabrielense Sanó Marques Tenório, de 11 anos, da etnia Tuyuka, foi medalhista na 1ª edição da Copa Jimenes, realizada entre os dias 15 e 16 de junho, em Manaus.

Sanó conta que descobriu o esporte quando se mudou para o município de São Gabriel da Cachoeira e teve contato com o Projeto “Judô para Todos”, que é apoiado pela prefeitura da cidade, localizada na região do Alto Rio Negro, e pelo secretário de esporte do município, Olivaldo Sátiro. Embora tenha iniciado na arte marcial há três meses, a pequena cunhatã vem se destacando em eventos organizados pela Federação de Judô do Amazonas (Fejama), sendo uma das lutadoras de brilhou na 1ª edição da Copa Jimenes, realizada entre os dias 15 e 16 de junho, em Manaus. A pequena indígena conta que antes de começar a treinar, ajudava sua mãe nos afazeres domésticos e tinha uma rotina de auxiliar seus familiares na produção de beiju.

Antes de treinar, eu fazia beiju, carregava mandioca e ajudava a minha mãe. Quero estudar e lutar. E eu gostei de lutar e escolhi isso”, afirma a judoca.

Para a professora coordenadora do Projeto “Judô para Todos”, Jéssica Muller, Sanó é um exemplo de que no município existem grandes talentos escondidos.

“É importante que os indígenas saiam da comunidade e mostrem que aqui também existem grandes atletas, com muito potencial para competição. Geralmente as pessoas tem uma falsa noção de que indígenas não servem para o esporte, quando, na verdade, aqui tem grandes nomes”, afirma.

Judô para Todos

Junto com Sanó, outras 60 crianças, entre três e 17 anos, participam das aulas de judô do Projeto “Judô para Todos”, comandado pelas professoras Margareth Lima e Jéssica Muller. Segundo a professora Jéssica, o projeto foi criado no final do ano passado com o intuito de tirar as crianças do cenário da violência da região de fronteira.

“O projeto existe para tirar as crianças do alcoolismo e prostituição. É uma forma de promover educação em um cenário da violência. Recentemente, fomos para uma o campeonato brasileiro onde a Sanó foi um destaque e inclusive o irmão menor dela também participou. Esses exemplos incentivam as outras crianças”, afirma a professora. Ciente da importância de promover atividades desportivas para as crianças da comunidade, Jéssica Muller afirma que muito mais que uma arte marcial, o judô é uma ferramenta educacional que mostra que os indígenas também são grandes atletas. “Com a Sanó estamos confiantes que as pessoas vão enxergar o município de maneira diferente. Eles mostram que o indígena tem o talento para a luta, porque quando eles vão competir se sentem orgulhosos de representar a comunidade”, afirma a professora

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