Expedição que valoriza as culturas indígenas da América do Sul virá a Manaus com apoio do Governo do Amazonas

Manaus será a primeira capital brasileira a receber a Expedição Ruta Inka, que foi criada em 2000 no Peru e percorre lugares arqueológicos e comunidades indígenas, com o objetivo de valorizar as culturas desses povos na América do Sul. Com saída prevista para 21 de junho do próximo ano no Chile e chegada em agosto à capital amazonense, a expedição chega à nona edição e terá aproximadamente 150 pessoas, entre pesquisadores e estudantes (indígenas e não indígenas) de vários países.

O trajeto é feito por meio de navio, ônibus, trilha e trem. Assim que chegam ao local programado, os visitantes ficam acampados e chamam a atenção da sociedade para a importância da ação.

A vinda a Manaus terá o apoio institucional do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind). “A Seind apoia de forma institucional a iniciativa, considerando que o trabalho desenvolvido visa difundir e valorizar a cultura dos povos indígenas da Amazônia nos cinco continentes do mundo”, disse o secretário do órgão, Bonifácio José Baniwa, que recebeu o presidente da Associação Ruta Inka (entidade peruana organizadora da expedição), Ruben La Torre, nesta sexta-feira (23). “Somos favoráveis que se concretize, na sua plenitude, no âmbito do Estado do Amazonas”, acrescentou Bonifácio.

Minga

Ruben La Torre, 50, é indígena da etnia peruana Quechuas e tem percorrido diversos países em busca de apoio. Esta deverá ser a última expedição na América do Sul e, segundo ele, Manaus não poderia ficar fora do roteiro. “No Império Inca, os indígenas não tinham dinheiro, mas faziam as coisas. Isso se chama minga, que é o trabalho coletivo para o bem comum”, resumiu Rubem La Torre, em referência à importância da expedição ao Amazonas.

Duas etapas

Formada por indígenas de Peru, Bolívia e Equador, a Associação Ruta Inka realiza a expedição há uma década na América do Sul. Para 2013, a atividade foi dividida em duas etapas, com a participação de 300 pessoas. A primeira percorrerá Chile, Argentina e terminará nas ruínas pré-hispânicas de Tiahuanaco, na Bolívia, também com 150 participantes. A segunda segue da Bolívia para o Peru, de onde cruzará o rio Amazonas até Manaus. “É uma oportunidade para qualquer estudante do mundo interessado nas culturas indígenas dos países em questão e também para aqueles que querem conhecer a Amazônia e sua diversidade”, destacou La Torre, que é natural de Cusco (a uns 400 quilômetros de Lima) e já foi diplomata do Peru e vice-cônsul do país em São Paulo, na década de 1990.

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