O QUE CONHECEMOS DA MÚSICA AMAZONENSE?

O QUE CONHECEMOS DA MÚSICA AMAZONENSE?
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O QUE CONHECEMOS DA MÚSICA AMAZONENSE?

O QUE CONHECEMOS DA MÚSICA AMAZONENSE?

Eu sinceramente me perderia numa conversa dessas, verdade seja dita, nós amazonenses damos pouquíssimo valor ao que é nosso. Consumimos facilmente os conceitos vindos de baixo para cima (geograficamente falando) e deixamos passar despercebidos talentos da música local. Erro de vocês, erro meu! Não estou dizendo para se escolher um em detrimento ao outro, nesses casos podemos sim abraçar o mundo. Culturalmente vale a pena!

Em 1975 Adelson Santos lançou um compacto com duas músicas, uma delas chamada “Não mate a mata”, música marcante de um artista que ajudou a formar outras gerações de grandes nomes. Adelson Santos que inclusive é pai de um grande ícone da música barcelense, o grande Adelson Filho, popularmente conhecido como Chiquinho do Acará.

Poucos de nós tomamos nossa cervejinha ao som de um dos maiores grupos musicais da região norte, falo do Raízes Caboclas, que surgiu no início dos anos 80 com a proposta de abordar as raízes culturais amazônicas, coisa que atualmente é impensável para muitos, já que as “tendências comerciais” fazem com que a maioria nem cogite tal abordagem, salvo um ou outro artista/banda. O mais interessante do Raízes Caboclas é que na formação temos apenas um membro natural da capital Manaus, Adalberto Holanda, temos ainda Eliberto Barroncas natural de Autaz Mirim, Otávio di Borba, que como o nome sugere é de Borba, além de Júlio Lira, Osmar Oliveira, Raimundo Angulo e Celdo Braga que são de Benjamin Constant. Esse último certamente o maior destaque dentre os integrantes do grupo. Depois de 26 anos de Raízes Caboclas, Celdo se afastou da banda e passou a integrar o grupo Imbaúba, grupo de música orgânica instrumental que surgiu com a proposta de alcançar uma sonoridade oriunda da floresta. Celdo é autor de grandes sucessos da música amazonense como Banzeiro (chap, chap), Cantos da Floresta e Amazonas Moreno.

Chico da Silva, que já foi citado no texto “Depois do Carrapicho vem…” que escrevi há duas semanas, também é um grande nome da nossa música, não vou me aprofundar mais a respeito dele, já falei antes e o cara é foda!

Poderíamos listar muitos outros nomes, nos anos 90 mais artistas contribuíram para a evolução da música local, Eliana Printes na música popular, bandas de rock como Espantalho, Zona Tribal e Platinados que apareceram com projetos autorais que somam com qualidade para música amazonense, os compositores das toadas de boi bumbá em Parintins Tadeu Garcia, Paulinho Du Sagrado, Ronaldo Barbosa, Alex Pontes e muitos outros que também colaboraram , não só para a evolução musical do festival de Parintins, mas também para a cultura do nosso estado.

Nossa música é muito rica, nosso estado tem muitos ritmos, muitos estilos e talentos espalhados por cada calha desses rios, historicamente temos compositores de grandes obras, nomes que nos orgulham como amazonenses, talvez tenhamos deixado que essas obras e esses grandes artistas se perdessem nas gavetas do esquecimento, mas certamente se buscarmos mais, teremos cada vez mais motivos para acreditar que essa aqui é uma terra onde brota o talento.

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