Barcos de travessia viram ‘carcaças’ um ano após abertura da Ponte Rio Negro

Fonte: Portal Amazônia

Carcaças no Porto de São Raimundo. Foto: Juçara Menezes/Portal Amazônia

Carcaças no Porto de São Raimundo. Foto: Juçara Menezes/Portal Amazônia

Até outubro do ano passado, a chegada aos municípios de Manacapuru, Iranduba e Novo Ayrão, com saída de Manaus, era realizada pelas balsas que trafegavam sobre o rio Negro. Filas quilométricas, trânsito intenso no Porto do São Raimundo (no bairro homônimo, zona Oeste da capital) e atrasos eram comuns. Hoje, após um ano de Ponte Rio Negro, o cenário de grande movimento deu lugar à carcaças de flutuantes.

Por toda a orla, é visível a quantidade de embarcações em desuso. Balsas enferrujadas e até portos flutuantes estão atracados onde antes o cotidiano era de multidões, chegadas e partidas.

Apesar da paisagem desanimadora, o assessor de imprensa da Sociedade de Navegação Portos e Hidrovias (SNPH), Marinaldo Matos Guedes, afirmou que há projetos para melhorias, tanto para as embarcações quanto para o próprio Porto.

Das seis balsas utilizadas antes da inauguração da Ponte, duas foram reformadas e uma está em operação no Porto do Ceasa, realizando a travessia Manaus-Careiro da Várzea, na BR 319. Outras duas passam por melhorias.

Há uma licitação em trâmite para adaptar uma das balsas do local: um sistema de fundeio (com poitas na terra, para evitar movimento, em caso de temporais) e servirá como ‘berço’ para outras embarcações. A previsão de entrega é de 50 dias.

Ponte sobre o Rio Negro vista pelo Porto de São Raimundo. Foto: Juçara Menezes/Portal Amazônia

Ponte sobre o Rio Negro vista pelo Porto de São Raimundo. Foto: Juçara Menezes/Portal Amazônia

“O porto servia de base para chegar ao outro lado. Agora, o local recebe nova configuração de balsas de suporte para barcos regionais que trafegam no alto rio Negro. Ao contrário do que se fala, temos sempre caminhões em operação de embarque e desembarque de mercadorias – que saem de Manaus para a calha do rio –, dos tipos caminhões baú e abertos”, informou Guedes.

De acordo com o assessor, todos os dias veículos de grande porte desembarcam com mercadorias. O objetivo é suprir toda a demanda econômica e social dos municípios da calha do rio, como Novo Airão, Barcelos, Santa Izabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira.

Carga e descarga de mercadorias no Porto São Raimundo. Foto: Juçara Menezes/Portal Amazônia

Carga e descarga de mercadorias no Porto São Raimundo.

O assessor informou que o Porto de Tefé é de propriedade da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra). O retroporto – parte fluvial de um porto de complexo maior que deve ser organizado no município – será retirado pelo governo do Estado.

O antigo porto de Parintins, também atracado próximo à Ponte, foi entregue ao Departamento Nacional de Infraestrutura. “Só falta eles (Dinit) virem buscar e isso deve acontecer quando as águas subirem novamente. A maioria dessas coisas deve sair conforme a subida das águas”, garantiu o assessor.

Porto de Tefé atracado na orla de São Raimundo. Foto: Juçara Menezes/Portal Amazônia

Porto de Tefé atracado na orla de São Raimundo. Foto: Juçara Menezes/Portal Amazônia

Comércio divide opiniões

Autônomo Dorismar Moraes comemora mudanças no Porto. Foto: Juçara Menezes/Portal Amazônia

Autônomo Dorismar Moraes comemora mudanças no Porto. Foto: Juçara Menezes/Portal Amazônia

Os quiosques construídos ao longo do porto estão vazios. Apenas três permissionários continuam trabalhando. De acordo com uma autônoma, que pediu para não ser identificada, a Ponte Rio Negro trouxe prejuízos para o seu negócio. Ela conta continuar no local por falta de opção de trabalho.

A queda na quantidade de pessoas e veículos foi positiva para alguns empreendedores, como Dorismar Moraes. O autônomo vende itens diversos próximo ao novo embarque e desembarque de passageiros e mercadorias.

“Com a Ponte, nossas vendas diminuíram drasticamente. Se não há fluxo de viajantes, não temos comércio. Resolvemos segurar e a vida melhorou há três semanas, quando houve a mudança. Para outras pessoas, piorou consideravelmente”, explicou.

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